O Que Dizer?

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O que dizer quando os sonhos se mostram distantes?
… sorve o tempo lentamente meu viajante esquecido
… roda e desperta meu sentido confundido
… corre e ladrilha alma sofrida
… avança ponteiro desnorteado e desnorteante
… perece aperto perene
… transpira ardor eterno
… saúda a saudade que não esmorece
… sorri para o dia que anoitece
… lamenta a noite que amanhece
… apaga a lágrima que corre
… sacode a tristeza que nunca morre
… desenvolve a alegria que nunca cresce

O que dizer quando acordamos da vida?
… bom dia

Abro os olhos para a luz que me cega
… esboço um sorriso
… murmuro um grunhido
… elevo o espírito
… arrasto o corpo cansado
… ergo as mãos aos olhos
… afasto a escuridão com um gesto

O que dizer à vida e ao mundo?
… até já

Perguntas filosóficas (ou não :))

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Ultimamente têm-me ocorrido imensas perguntas para as quais não encontro respostas obvias.

Por exemplo... imaginem a situação... vocês dão de frente com uma mulher em roupa interior... qual a primera coisa que vos passa pela cabeça? Exactamente!!! É lógico que não podem deixar de fazer a pergunta:

Porque será que cuecas é uma palavra no plural e soutian singular?

Hmmmm... no mínimo estranho, não?


Seguindo uma linha de raciocínio diferente (ou não) ... quando o homem descobriu que o leite saía das vacas... o que é que PENSOU que estava a fazer?

E já agora... tem terá sido a primeira pessoa que pensou ou disse:
"Estás a ver aquela galinha? Vou comer a primeira coisa que lhe sair pelo cu!!!" - estaríamos na presença do primeiro sortudo da história humana... ou terá sido o primeiro a comer algo que não devia?

Bom... perguntas importantes e profundas para as quais não encontro respostas fáceis.
Rockas

ps. Se fizermos um oriental andar à roda será que fica desorientado?




Reflexos e Pesadelos

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October 21


Lá fora a chuva cai e eu sigo a sua melodia percorrendo com os dedos as gotas que caem pela minha vidraça... fecho os olhos e sinto os fios de teus cabelos a escorrer entre meus dedos...amo essa sensação... viajo sem rumo nos meus pensamentos e finalmente encontro-te... lá bem longe onde nada conta... nada acontece... tudo me enternece... tudo me preenche... com a tua imagem... o teu cheiro... a tua presença... a tua companhia…

Lá fora a chuva cai e eu sigo a sua melodia como se seguisse tua voz... a voz que me invade... longínqua como a noite… suave como a escuridão… eterna como a vida… quase a consigo tocar… quase a consigo beijar… parto então para além do infinito… onde nada é como é… onde todos os véus caem e todas as máscaras derretem… onde o som se torna trémulo… onde o silencio diz tudo… onde o vazio se torna ensurdecedor…

Lá fora a chuva cai e eu sigo a sua melodia como se fosse teu choro… essa aura negra que te envolve e apenas eu vejo… que me aperta o peito e me faz querer gritar… grito… o aperto aumenta… choro… não consigo chorar… tento praguejar… as palavras saem mudas… corro… fujo… a tua dor não me larga… tropeço… caio… esbracejo… debato-me com todas as forças… o aperto aumenta… grito… tento chorar… tento praguejar… o aperto sufoca-me… não consigo ver… não consigo ver… estou cego!!!

… Acordo!?! Esboço um leve sorriso que se esbate lentamente porque o aperto continua lá… bem no centro do meu peito… queima-me a alma… olho para o lado e lá estás tu… estendes a mão… pedes ajuda com os olhos encharcados de nada… um vazio de quem não sabe para onde ir… tento alcançar-te… corro mas não chego… toco-te… desapareces… surges mais longe ainda… volto a correr… o meu coração bate mais forte… arde… aperta… sufoco… e… vejo-te cair…

… Acordo!?! Sim… finalmente acordo… olho para o lado e nem a visão de quem amo mais que a própria vida alivia minha dor… finalmente choro… choro enquanto te recordo a cair no meio do escuro… com os braços estendidos na minha direcção… com os olhos encharcados de nada… um vazio de quem não sabe para onde ir… mais uma vez estendo meus braços para te alcançar… suplicavas? Pedias ajuda? Eu corri, lembras-te? Corri o máximo que pude, lembras-te? De que fugias? Para onde fugias? Fugias de mim? Fugias de ti? Porque fugias?



Dolorosamente ergo minha cabeça… estou cansado… meu corpo tira-me da cama… saio do quarto e arrasto-me até ao escritório… minhas mão, ainda a tremer escrevem qualquer coisa num papel que depois dobram e guardam… acendo um cigarro… vou até à janela…

Lá fora a chuva cai e eu sigo a sua melodia percorrendo, com medo, as linhas da minha memória…

 

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